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Como memorizar o que estuda: revisão espaçada e testes

Estudante numa mesa com cartões de anotação espalhados, testando a memória com um cartão na mão

Você lê o capítulo, entende tudo, sublinha as partes importantes. Uma semana depois, na prova, metade sumiu. O problema costuma estar no método: ler de novo dá uma sensação de domínio que não se sustenta. O cérebro reconhece o texto, mas reconhecer é diferente de conseguir lembrar sem ele na frente.

O que a pesquisa diz sobre os métodos de estudo

Em 2013, cinco pesquisadores de psicologia liderados por John Dunlosky revisaram centenas de estudos sobre dez técnicas comuns. O resultado contraria o hábito da maioria:

Técnica

Avaliação dos pesquisadores

Testar a si mesmo (questões, cartões, explicar de memória)

Alta utilidade

Espaçar o estudo ao longo do tempo

Alta utilidade

Intercalar tipos de exercício

Utilidade moderada

Perguntar "por quê" e explicar para si mesmo

Utilidade moderada

Reler, grifar, resumir

Baixa utilidade

Grifar e resumir não são inúteis. O problema é que, sozinhos, rendem pouco para o tempo que tomam.

Um experimento clássico de 2006, de Henry Roediger e Jeffrey Karpicke, mostra o efeito. Estudantes que leram um texto e depois tentaram lembrar dele por escrito foram pior num teste feito minutos depois, mas lembraram bem mais uma semana mais tarde do que os que apenas releram o texto várias vezes. O esforço de puxar a informação da memória é o que fixa.

Como testar a si mesmo na prática

Você não precisa de prova pronta. Algumas formas que funcionam:

  • Ao terminar uma seção, feche o livro e escreva numa folha tudo o que lembra. Depois confira o que faltou.

  • Transforme os títulos e os tópicos do material em perguntas e responda sem olhar.

  • Faça cartões com pergunta de um lado e resposta do outro. Serve para datas, fórmulas, vocabulário de idioma e conceitos.

  • Explique o assunto em voz alta, como se estivesse ensinando alguém.

  • Resolva questões de provas anteriores antes de se sentir pronto, e não só no fim.

Errar faz parte. Conferir a resposta logo depois do erro é o que transforma a tentativa em aprendizado.

Revisão espaçada: o calendário

Estudar três horas seguidas de um mesmo tema na véspera rende menos que as mesmas três horas divididas em vários dias. O motivo é que cada revisão, feita quando você já começou a esquecer, obriga a memória a reconstruir o conteúdo.

Um esquema simples, para começar:

  1. Dia 0: estude o conteúdo novo e faça uma primeira autotestagem.

  2. Dia 1: revise testando, sem reler tudo.

  3. Dia 3 ou 4: nova revisão.

  4. Dia 7: mais uma.

  5. Dia 14 e depois dia 30: revisões curtas.

Não existe um intervalo exato comprovado para todo mundo e todo tipo de matéria. A regra geral é: se você lembrou com facilidade, aumente o intervalo; se travou, encurte.

Aplicativos de cartões com repetição espaçada fazem esse cálculo sozinhos, a partir das suas respostas. Uma planilha ou um caderno com datas também resolvem.

Intercale em vez de fazer tudo em bloco

Em matemática e física, por exemplo, muita gente faz 20 exercícios do mesmo tipo seguidos. Na prova, o difícil é justamente reconhecer qual método usar. Misturar exercícios de assuntos diferentes na mesma sessão parece mais lento e mais confuso, mas treina essa escolha.

Sono e pausas contam

Memória se consolida também durante o sono. Virar a noite antes da prova atrapalha mais do que ajuda. Para foco durante a sessão, blocos de 25 a 50 minutos com pausas curtas funcionam para muita gente, mas o tamanho do bloco é pessoal.

Um exemplo de semana

Imagine que você estuda biologia para uma prova daqui a um mês.

  • Segunda: célula. Lê, faz cartões e responde de memória.

  • Terça: genética. Antes de começar, 10 minutos de perguntas sobre célula.

  • Quinta: ecologia, com 10 minutos de célula e genética no início.

  • Domingo: só perguntas e questões misturadas dos três temas.

Na semana seguinte, os temas antigos voltam com intervalos maiores enquanto os novos entram. Para montar essa grade com as outras matérias, veja como montar um cronograma de estudos realista.

Perguntas frequentes

Mapa mental ajuda a memorizar?

Ajuda a organizar e a ver relações entre os temas. Para lembrar, ele rende mais se você tentar redesenhar o mapa de memória e depois comparar com o original, em vez de só olhar para ele.

Quanto tempo leva para ver resultado?

Na primeira semana a sensação pode ser de estar indo mais devagar, porque testar é mais cansativo que reler. A diferença aparece nas revisões seguintes, quando o conteúdo antigo continua lá.

Serve para concurso e ENEM?

Serve para qualquer prova que cobre conteúdo acumulado. Em concurso, resolver questões da banca é a forma mais direta de autotestagem.

Fontes

Mais dicas

  1. Lazer

    Como começar um clube do livro

    Grupo pequeno, data marcada e um primeiro livro fácil de achar. O resto vocês ajustam depois dos primeiros encontros.

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