10 filmes capazes de mudar sua vida

Filme nenhum muda a vida de ninguém sozinho. Alguns, porém, pegam a gente no momento certo e deixam uma pergunta que fica rondando por dias. Os dez abaixo têm esse efeito em muita gente. Para cada um, vai o ano, quem dirigiu e o motivo de estar aqui, sem estragar o final.
Viver (Ikiru, 1952)
Direção de Akira Kurosawa. Um funcionário público de Tóquio, depois de décadas carimbando papéis, recebe uma notícia que obriga a pensar no que fez com o tempo que teve.
É o filme mais antigo da lista e talvez o mais direto sobre a pergunta "e se faltasse pouco?". A segunda metade tem uma estrutura inesperada, que muda o jeito de olhar tudo o que veio antes. Vale a paciência com o ritmo.
Sociedade dos Poetas Mortos (Dead Poets Society, 1989)
Direção de Peter Weir. Um professor de literatura chega a um colégio rígido e começa a provocar os alunos a pensar por conta própria.
Muita gente assiste na adolescência e de novo depois dos 30, e sai com impressões bem diferentes. Na primeira vez, o filme parece falar de coragem. Na segunda, também fala do preço que as escolhas cobram e de quem fica pelo caminho.
Feitiço do Tempo (Groundhog Day, 1993)
Direção de Harold Ramis. Um apresentador de previsão do tempo, mal-humorado e cheio de si, fica preso no mesmo dia, que se repete sem parar.
Parece só uma comédia, e é uma ótima comédia. Mas a ideia de repetir o mesmo dia até fazer alguma coisa que preste com ele virou referência em conversa sobre rotina, hábito e mudança pessoal. Funciona bem para ver em família.
O Show de Truman (The Truman Show, 1998)
Também de Peter Weir. Um vendedor de seguros leva uma vida certinha numa cidade perfeita demais, até que pequenos detalhes começam a não fazer sentido.
Lançado antes das redes sociais, o filme ficou mais atual com o tempo. Ele faz pensar em quanto da sua vida é escolha e quanto é cenário montado por outros, e no medo que dá sair do lugar conhecido.
Central do Brasil (1998)
Direção de Walter Salles. Uma mulher que escreve cartas para analfabetos na estação Central do Brasil, no Rio, acaba atravessando o país ao lado de um menino que perdeu a mãe.
É o único brasileiro da lista e vale por muitos motivos: a atuação de Fernanda Montenegro, que foi indicada ao Oscar de melhor atriz, a viagem pelo sertão e a forma como uma pessoa endurecida vai amolecendo sem discurso. Um bom lembrete de que gentileza também se aprende tarde.
Matrix (The Matrix, 1999)
Direção de Lana e Lilly Wachowski. Um programador desconfia de que o mundo em que vive não é o que parece.
As cenas de ação envelheceram bem, mas o que fica é a pergunta de fundo: você aceitaria saber uma verdade desconfortável se pudesse continuar no conforto? Não por acaso, "sair da Matrix" virou expressão do dia a dia para falar de mudar o jeito de enxergar as coisas.
O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (Le fabuleux destin d'Amélie Poulain, 2001)
Direção de Jean-Pierre Jeunet. Uma garçonete tímida de Paris resolve, em segredo, interferir na vida das pessoas ao redor para melhorá-la.
É o filme mais leve da lista, com cores fortes e humor delicado. Mostra como pequenos gestos fazem diferença e, de quebra, como é fácil cuidar da vida dos outros para não encarar a própria. A trilha sonora ajuda a criar o clima.
À Procura da Felicidade (The Pursuit of Happyness, 2006)
Direção de Gabriele Muccino. Baseado na história real de Chris Gardner, um pai que enfrenta despejo e falta de dinheiro enquanto disputa uma vaga num programa de estágio sem salário.
É um filme sobre persistência, mas o que mais marca são as cenas pequenas entre pai e filho, que mostram o esforço para proteger uma criança do pior. Vale assistir sabendo que a vida real teve mais nuances do que cabe em duas horas.
Na Natureza Selvagem (Into the Wild, 2007)
Direção de Sean Penn, a partir do livro do jornalista Jon Krakauer. Conta a história real de Christopher McCandless, um jovem recém-formado que larga tudo para viajar pelos Estados Unidos até o Alasca.
O filme divide opiniões, e é aí que está a graça. Tem quem veja coragem, tem quem veja imprudência. Os encontros com as pessoas que ele conhece na estrada são a melhor parte e levam a uma conclusão que o próprio personagem chega a anotar.
Divertida Mente (Inside Out, 2015)
Direção de Pete Docter, da Pixar. Dentro da cabeça de uma menina de 11 anos que acabou de mudar de cidade, emoções como Alegria e Tristeza disputam o controle.
Parece filme infantil, e as crianças adoram. Mas a ideia central, de que a tristeza tem uma função e não precisa ser escondida, conversa muito com adultos. É uma boa porta de entrada para falar de sentimentos com os filhos.
Como aproveitar melhor a lista
Veja sem pressa e sem o celular na mão. Vários desses filmes dependem de detalhes.
Se puder, assista com alguém e converse no fim. A pergunta "o que você faria no lugar dele?" rende.
A disponibilidade em streaming muda o tempo todo. Para saber onde cada título está passando, procure o nome no buscador do seu serviço ou num site agregador de catálogos.
Perguntas frequentes
Algum desses filmes é bom para ver com crianças?
Divertida Mente e Feitiço do Tempo são os mais tranquilos para a família. Confira a classificação indicativa de cada título antes de ver com crianças menores.
Quais são baseados em histórias reais?
À Procura da Felicidade e Na Natureza Selvagem. Os outros são ficção.
Por que dois filmes do mesmo diretor?
Peter Weir dirigiu Sociedade dos Poetas Mortos e O Show de Truman, e os dois tratam de gente que tenta escapar de um roteiro imposto. Foi coincidência boa demais para deixar um de fora.
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