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8 filmes para quem se interessa por psicologia

Pessoa enrolada numa manta no sofá assistindo a um filme à noite, com pipoca e caneca na mesa de centro

Filme não substitui aula nem consulta, e alguns reforçam preconceitos antigos sobre transtornos mentais. Ainda assim, uma boa história faz a gente entender por dentro uma experiência que os livros descrevem de fora. A lista abaixo mistura clássicos e títulos recentes, com um comentário sobre o que cada um faz bem e onde convém desconfiar.

Os títulos estão em ordem cronológica de lançamento. Antes de procurar, confira em qual serviço de streaming cada um está, porque o catálogo muda com frequência.

1

Um Estranho no Ninho (1975)

Dirigido por Milos Forman, a partir do romance de Ken Kesey. Um homem condenado por crimes menores se finge de doente para cumprir pena num hospital psiquiátrico, achando que vai ser mais fácil. Não é.

O filme é sobre poder: quem decide o que é normal, e o que uma instituição faz com quem não se encaixa. Virou referência no debate sobre os manicômios. Ganhou os cinco principais prêmios do Oscar daquele ano.

2

Gênio Indomável (1997)

Direção de Gus Van Sant. Um jovem que trabalha como faxineiro numa universidade resolve problemas de matemática que os alunos não conseguem. Para evitar a prisão depois de uma briga, ele precisa fazer terapia.

É talvez o filme mais citado por quem quer ver como funciona a relação entre paciente e terapeuta. Mostra a resistência, o sarcasmo como defesa e o tempo que leva para alguém confiar. Algumas atitudes do terapeuta na tela fogem bastante da ética profissional real, então assista sabendo disso.

3

Garota, Interrompida (1999)

Direção de James Mangold, baseado no livro de memórias de Susanna Kaysen. No fim dos anos 1960, uma jovem de 18 anos é internada depois de uma tentativa de suicídio e recebe o diagnóstico de transtorno de personalidade borderline.

O ponto forte é a dúvida que o filme deixa no ar: até onde aquilo era doença e até onde era uma moça que não cabia no que se esperava dela na época. As relações entre as internas são o coração da história.

4

Uma Mente Brilhante (2001)

Direção de Ron Howard. Conta, com liberdade, a vida do matemático John Nash, que viveu com esquizofrenia e recebeu o Nobel de Economia em 1994 pelo trabalho com teoria dos jogos.

O filme ajudou muita gente a entender que uma pessoa com esquizofrenia pode estudar, trabalhar e ter família. Mas toma liberdades com a biografia e com os sintomas, que na tela ficam mais visuais e cinematográficos do que costumam ser.

5

O Lado Bom da Vida (2012)

Direção de David O. Russell. Depois de uma temporada internado, um homem com transtorno bipolar volta para a casa dos pais e tenta reconquistar a ex-mulher. No caminho, conhece uma jovem viúva que também está em crise.

Tem tom de comédia romântica, o que deixa o tema mais leve. Acerta ao mostrar a família tentando ajudar e errando, e a irritação de quem é tratado como frágil o tempo todo.

6

Divertida Mente (2015)

Animação dirigida por Pete Docter. As emoções de uma menina de 11 anos que muda de cidade aparecem como personagens dentro da cabeça dela.

Funciona para todas as idades e é ótimo para conversar com crianças sobre sentimentos. A grande ideia do filme é que a tristeza também tem função, e que esconder o que se sente tem custo.

7

Nise: O Coração da Loucura (2015)

Filme brasileiro dirigido por Roberto Berliner, exibido em festivais em 2015 e lançado nos cinemas em 2016. Conta a fase em que a psiquiatra alagoana Nise da Silveira trabalhou no hospital do Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro, nos anos 1940.

Ela se recusou a aplicar eletrochoque nos pacientes e foi mandada para o setor de terapia ocupacional, que os colegas desprezavam. Ali montou ateliês de pintura e modelagem e tratou os internos com respeito. Em 1952 fundou o Museu de Imagens do Inconsciente, que guarda obras feitas pelos pacientes até hoje. Para quem estuda psicologia no Brasil, é quase obrigatório.

8

Meu Pai (2020)

Direção de Florian Zeller, a partir da peça que ele mesmo escreveu. Um homem de mais de 80 anos com demência recusa a ajuda da filha e não entende por que a casa, as pessoas e os horários parecem mudar o tempo todo.

O truque do filme é colocar você na confusão dele. Rostos trocam, cômodos mudam de lugar, a mesma conversa se repete. Poucos filmes mostram com tanta clareza como é perder a memória, e também o cansaço de quem cuida.

Dois filmes para ver com olhar crítico

Psicose (1960), de Alfred Hitchcock, é um marco do suspense e aparece em quase toda lista do tipo. Só que a explicação psiquiátrica do final é bem datada, e o filme ajudou a fixar a ideia de que transtorno mental e violência andam juntos.

Fragmentado (2016), de M. Night Shyamalan, mostra um homem com várias personalidades que sequestra três adolescentes. Profissionais de saúde mental criticaram o filme por ligar o transtorno dissociativo de identidade ao perigo. Na vida real, pessoas com transtornos mentais têm mais chance de ser vítimas de violência do que autoras.

Se o filme mexer com você

Se algum desses temas tocar em algo que você ou alguém próximo está vivendo, procure ajuda. Pelo SUS, a porta de entrada é a unidade básica de saúde, que pode encaminhar para psicólogo, psiquiatra ou um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). Em momento de crise, o CVV atende de graça, 24 horas, pelo telefone 188 ou pelo chat no site.

Para entender melhor um dos temas da lista, leia também 3 mitos sobre a esquizofrenia.

Perguntas frequentes

Qual filme é bom para estudante de psicologia?

Nise: O Coração da Loucura, pela história da reforma psiquiátrica no Brasil, e Gênio Indomável, para discutir a relação entre terapeuta e paciente, inclusive os erros dela.

Tem algum para ver com criança?

Divertida Mente. A animação ajuda a falar de tristeza, raiva e medo sem drama, e rende conversa depois.

Fontes

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