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3 mitos sobre esquizofrenia e o que é verdade

Duas pessoas conversando com calma num banco de praça, com uma garrafa térmica e dois copos entre elas

Quem recebe esse diagnóstico, ou vê alguém da família passar por isso, costuma esbarrar logo no preconceito. Boa parte dele vem de filmes e manchetes. Abaixo, o que a ciência diz sobre os três equívocos mais comuns e onde procurar atendimento gratuito.

Antes dos mitos: o que é a doença

Esquizofrenia é um transtorno mental que altera a forma como a pessoa percebe a realidade, pensa e se comporta. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 1 em cada 300 pessoas no mundo convive com ela, algo perto de 27 milhões de pessoas. Os primeiros sinais costumam surgir no fim da adolescência ou por volta dos 20 anos, um pouco mais cedo nos homens.

Os sintomas variam muito de uma pessoa para outra. Os mais conhecidos são:

  • delírios, que são convicções firmes que não mudam mesmo diante de provas em contrário (como a certeza de estar sendo vigiado);

  • alucinações, como ouvir vozes que ninguém mais ouve;

  • fala e pensamento desorganizados;

  • os chamados sintomas negativos: pouca vontade, pouca expressão de emoção, isolamento.

Dificuldades de memória, atenção e organização do dia também são comuns e, muitas vezes, pesam mais na rotina do que as vozes.

Mito 1: "quem tem esquizofrenia é perigoso"

Essa é a ideia mais injusta. O Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos (NIMH) resume assim: a maior parte das pessoas com esquizofrenia não é violenta, e elas correm mais risco de sofrer agressão do que quem não tem a doença.

Segundo o mesmo instituto, o risco de violência, contra si ou contra outros, é maior quando a doença está sem tratamento ou vem junto com uso de álcool e outras drogas. Por isso começar o tratamento cedo protege a própria pessoa e quem está perto. No dia a dia, o que se vê com mais frequência é o contrário do estereótipo: gente retraída, com medo, que se afasta dos outros.

A OMS também chama atenção para o estigma "intenso e disseminado" e para violações de direitos que essas pessoas sofrem, dentro e fora de instituições. O preconceito afasta do emprego, da escola e até do atendimento de saúde.

Mito 2: "é a mesma coisa que dupla personalidade"

Não é. A confusão vem do nome: "esquizofrenia" junta duas palavras gregas que lembram "mente dividida". Essa divisão, na ideia de quem cunhou o termo, era entre pensamento, emoção e comportamento, que deixam de andar juntos. Não tem a ver com duas pessoas morando no mesmo corpo.

O que o cinema chama de dupla personalidade corresponde a outro diagnóstico, o transtorno dissociativo de identidade. São condições diferentes, com causas e tratamentos diferentes.

Mito 3: "não tem jeito, a pessoa nunca melhora"

Segundo a OMS, pelo menos uma em cada três pessoas com esquizofrenia chega à remissão completa dos sintomas. Outras alternam fases de piora e de melhora ao longo da vida. Com acompanhamento, muita gente trabalha, estuda e mantém amizades e família.

O tratamento costuma combinar:

  1. remédio antipsicótico, indicado e ajustado pelo psiquiatra;

  2. psicoterapia e orientação para a família;

  3. reabilitação psicossocial, que ajuda a retomar estudo, trabalho e vida social.

Interromper o remédio por conta própria está entre as causas mais comuns de recaída. Se houver efeito colateral incômodo, o caminho é conversar com o médico para trocar ou ajustar a dose.

O maior obstáculo, no Brasil e no mundo, é chegar ao tratamento. A OMS calcula que mais de duas em cada três pessoas com psicose não recebem cuidado especializado em saúde mental.

Onde buscar ajuda pelo SUS

Situação

Onde ir

Primeiros sinais, dúvidas, acompanhamento

Unidade Básica de Saúde (UBS) do seu bairro

Transtorno mental grave e persistente

Centro de Atenção Psicossocial (CAPS); em muitas cidades, pode ir direto, sem encaminhamento

Crise com risco para a pessoa ou para outros

SAMU (192) ou pronto-socorro

Sofrimento intenso ou pensamento de suicídio

CVV, ligação gratuita para 188, 24 horas, ou chat em cvv.org.br

Se você convive com alguém que passou a desconfiar de tudo, fala sozinho com frequência, se isolou de repente ou diz coisas que não fazem sentido, procure uma avaliação logo. Começar o tratamento cedo costuma melhorar a evolução. Trate a pessoa com calma, sem discutir o conteúdo dos delírios, e evite rótulos na frente dela.

Perguntas frequentes

Esquizofrenia tem cura?

A OMS fala em recuperação total para pelo menos um terço das pessoas. Para as demais, o tratamento controla os sintomas e permite uma vida estável. A evolução varia, e o acompanhamento deve ser com psiquiatra.

É hereditária?

Ter pais ou irmãos com a doença aumenta a chance, mas não determina. A OMS aponta uma combinação de genes e fatores do ambiente, e o uso pesado de maconha está associado a risco maior.

O SUS dá os remédios?

Sim. Os antipsicóticos usados no tratamento fazem parte da assistência farmacêutica do SUS. A UBS ou o CAPS orienta como retirar.

Fontes

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