Primeiros acordes no violão sem atropelar etapas

Nas primeiras semanas, os dedos não vão para onde você manda, uma corda sempre sai abafada e a troca de acorde leva uma eternidade. Todo mundo passa por isso: a mão está aprendendo um movimento novo. E tentar tocar a música inteira, parando a cada troca, ensina menos que dez minutos de treino focado.
Antes de tocar
Sente numa cadeira firme, com os pés no chão e os ombros soltos. Apoie o violão no corpo sem torcer o punho para enxergar o braço do instrumento. O polegar da mão dos acordes fica apoiado atrás do braço, sem apertar como uma pinça.
Afine sempre antes de começar. Um aplicativo afinador grátis resolve. Com o violão desafinado, você não sabe se o som ruim é da corda ou da posição do dedo.
Se precisa de muita força para apertar as cordas, se elas "trastejam" (fazem um zumbido metálico) ou se machucam além do incômodo normal na ponta dos dedos, leve a um luthier para regular. Violão mal regulado faz muita gente desistir achando que o problema é a mão.
Dois acordes, não dez
Comece com Em (mi menor) e Am (lá menor). Eles são fáceis, aparecem em muitas músicas e têm uma vantagem: os dedos 2 e 3 fazem o mesmo desenho nos dois, só que uma corda mais perto do chão no Am, mais o dedo 1 na primeira casa na segunda corda. No Am, não toque a sexta corda, a mais grossa.
Siga um diagrama (mais sobre isso abaixo) e coloque um dedo de cada vez, logo atrás do traste, que é a barrinha de metal, e não em cima dele. Curve as articulações para a ponta do dedo pisar a corda sem encostar nas vizinhas.
Agora toque corda por corda, devagar. Se alguma sai abafada, a causa é quase sempre uma destas: o dedo está longe do traste, falta um pouco de pressão ou outro dedo está encostando na corda. Corrija esse ponto, em vez de apertar a mão inteira com mais força.
Doeu de verdade, formigou ou o punho travou? Pare, sacuda as mãos e volte com a mão mais leve. Os calos na ponta dos dedos aparecem em algumas semanas de treino; não precisa ganhar todos numa tarde.
A troca, primeiro sem ritmo
Monte o Em. Solte a pressão, sem afastar muito os dedos das cordas, e monte o Am. Repare que os dedos 2 e 3 só descem uma corda juntos: deixe que eles façam esse caminho curto. Faça dez trocas lentas e certas. A velocidade vem depois que a mão decorou o caminho.
Quando estiver segura, ligue um cronômetro de um minuto e conte quantas trocas limpas consegue. Descanse e tente de novo, buscando manter a mão relaxada. Não precisa bater recorde.
Agora o ritmo
Encoste a mão dos acordes de leve em todas as cordas, para abafar, e com a outra mão faça batidas para baixo, contando "um, dois, três, quatro". Quando a batida estiver regular, volte aos acordes: quatro batidas no Em, quatro no Am, e assim por diante.
Se a troca está quebrando o ritmo, diminua a velocidade. Um metrônomo lento ajuda, mas não é obrigatório. O objetivo é chegar no acorde seguinte no "um", mesmo que ele ainda saia meio sujo.
Os quinze minutos
Tempo | O que fazer |
|---|---|
2 min | Afinar e soltar as mãos |
4 min | Som limpo em cada acorde, corda por corda |
4 min | Trocas lentas e depois o minuto cronometrado |
4 min | Batida com os dois acordes |
1 min | Tocar qualquer coisa só pelo prazer |
Repita os mesmos dois acordes por alguns dias antes de colocar o terceiro (D ou G são boas escolhas). Grave um áudio por semana no celular: comparando, você ouve o progresso que não percebe no dia a dia.
Como ler um diagrama de acorde
As linhas verticais são as cordas e as horizontais, as casas. Os números ou bolinhas mostram onde vai cada dedo (1 é o indicador, 4 o mindinho). Um "O" em cima indica corda solta, e um "X", corda que não deve soar. Confira se o diagrama é para destro, porque os de canhoto vêm espelhados.
Escolha uma fonte de diagramas e fique com ela, já que sites diferentes às vezes usam convenções diferentes.
Ao montar o acorde, diga o nome dele baixinho. Depois feche os olhos por um segundo e sinta onde os dedos estão. Aos poucos você para de entortar o pescoço para olhar a mão.
Atalhos que atrasam
Adesivo em todas as casas, apertar mais forte para compensar o dedo mal posicionado e trocar de exercício a cada vídeo novo: tudo isso parece ajudar e atrasa. Se depois de várias semanas algo continua parecendo impossível, uma ou duas aulas com professor corrigem postura e regulagem antes que o vício se instale.
Corda velha ou oxidada desafina e soa mal. Se ainda não sabe trocar, peça ajuda na loja ou para o professor.
Guarde o violão longe de sol, umidade e de lugar de passagem, onde ele pode cair. Passe um pano seco nas cordas depois de tocar. E deixe ele num lugar fácil de pegar: violão guardado no fundo do armário raramente sai de lá.
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