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Como fazer um currículo objetivo

Pessoa revisa uma folha de currículo diante de um notebook em uma mesa organizada

Quem recebe currículo costuma dar uma primeira olhada rápida em cada um e decidir se vale chamar para conversar. O seu precisa mostrar logo de cara o que você faz, o que fez por último e como te encontrar. O resto pode ficar para a entrevista.

Abra o anúncio antes do modelo

Leia a vaga e marque as tarefas, ferramentas e conhecimentos que você tem de verdade. É isso que sobe para o começo do currículo. Adaptar é escolher o que destacar entre coisas verdadeiras, e não copiar palavras do anúncio ou inventar experiência.

No topo vão nome, cidade, telefone, um e-mail com cara profissional (nada de "gatinha2009") e, se fizer sentido, um link para portfólio ou perfil profissional atualizado. Endereço completo, RG, CPF, estado civil e foto não ajudam na maioria das vagas. Só coloque se o processo pedir.

Um resumo com fatos

Duas ou três linhas com sua área, seu tempo de experiência e o que você faz. "Profissional dinâmico, proativo e em busca de desafios" está em metade dos currículos e não diz nada. Compare com "assistente administrativo com quatro anos de atendimento, controle de notas fiscais e planilhas de estoque".

Se você está começando, fale da formação, de projetos que fez e do tipo de vaga que procura. Só não liste cinco áreas diferentes como objetivo: parece que qualquer coisa serve.

Experiência: o que você fazia de fato

Da mais recente para a mais antiga. Em cada uma, cargo, empresa, período e de três a cinco linhas sobre o trabalho, começando por um verbo: atendi, organizei, montei, analisei, implantei.

Veja a diferença. "Responsável por vendas" não conta nada. "Atendimento no balcão e pelo WhatsApp, montagem de orçamentos e acompanhamento de pedidos até a entrega" mostra o dia a dia. Número ajuda quando é real e dá para explicar numa entrevista. Percentual chutado para impressionar costuma desmoronar na primeira pergunta.

Alguns casos que geram dúvida:

  • Emprego antigo e sem relação com a vaga pode virar uma linha só.

  • Período parado não precisa de explicação no currículo. Tenha uma resposta honesta pronta para a conversa.

  • Bico, trabalho voluntário, projeto próprio e ajuda no negócio da família entram quando mostram algo útil para a vaga, descritos com o mesmo cuidado de um emprego formal.

Formação, cursos e habilidades

Curso, instituição e ano de conclusão (ou "em andamento"). Com faculdade concluída na área, o ensino médio pode sair, a menos que o processo peça. Curso livre entra se tem a ver com a vaga. Uma lista de vinte certificados soltos só deixa a página mais comprida.

Em habilidades, "informática" não diz nada. Diga "Excel com tabela dinâmica e PROCV" ou "emissão de nota fiscal no sistema X". Em idioma, coloque o nível real. Se não aguentaria cinco minutos de conversa em inglês, não escreva "fluente". E qualidades como "trabalho em equipe" convencem mais quando aparecem nos exemplos de experiência do que numa lista.

Layout

Simples. Títulos claros, fonte legível, texto escuro em fundo claro, uma coluna. Caixas, gráficos e barrinhas de "nível de habilidade" atrapalham a leitura e muitos sistemas de recrutamento leem esse tipo de arquivo mal. Se você é de uma área visual, como design, tudo bem caprichar, mas tenha também uma versão simples.

Uma página é o ideal quando cabe. Com uma carreira longa, duas estão ótimas. Cortar coisa importante só para caber numa página também é erro.

Salve em PDF, abra o arquivo e veja se dá para selecionar o texto (se não der, o sistema pode não conseguir ler). Dê um nome que identifique, como maria-souza-curriculo.pdf.

Antes de enviar

Leia em voz alta procurando frase vaga. Confira datas, telefone e e-mail, que é onde o erro custa a vaga. Abra o PDF no celular e no computador.

Um teste bom: mostre para alguém por vinte segundos e pergunte o que entendeu. A pessoa deveria conseguir dizer sua área, sua experiência mais recente e no que você é bom.

Nunca coloque informação falsa, dado sigiloso de empresa onde trabalhou nem referência que não autorizou.

Uma versão para cada tipo de vaga

Guarde um currículo completo, com tudo, e faça cópias ajustadas para cada tipo de vaga. Na cópia, mude a ordem dos pontos e use os termos do anúncio quando eles descrevem o que você fez. Isso evita reescrever datas toda vez e errar.

Se o site da vaga pede para preencher um formulário além do PDF, preencha. Quando o sistema importa os dados do arquivo, revise campo por campo, porque a leitura costuma sair torta. Não diminua a fonte para caber mais e não deixe informação importante só no cabeçalho, no rodapé ou numa imagem.

No portfólio, poucos trabalhos e bem explicados: qual era o problema, o que você fez e o que resultou. Tire material confidencial e dados de clientes. Um link quebrado pega pior do que não ter link.

Guarde uma cópia da vaga e do currículo que mandou, e releia os dois antes da entrevista. Se notar um erro depois de enviar, pese o tamanho dele: telefone errado pede correção na hora; uma vírgula fora do lugar não merece novo e-mail.

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