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Como recuperar um arquivo apagado sem piorar a situação

Pessoa procurando um arquivo no notebook com um disco externo desconectado ao lado

Apagou sem querer e bateu o desespero? A primeira reação costuma ser baixar o primeiro programa de recuperação que aparece na busca. É justamente o que pode estragar tudo. Na maioria dos sistemas, apagar um arquivo só tira o "endereço" dele da lista. O conteúdo continua no disco até que alguma coisa nova seja gravada por cima. Cada download, instalação ou arquivo salvo pode ocupar exatamente aquele espaço.

Pare de mexer no disco

Não instale nada no disco onde o arquivo estava. Pause downloads, sincronização e atualizações, e não fique reiniciando o computador.

Anote o que você lembra: nome aproximado, tipo (.docx, .jpg, .pdf), pasta, quando foi editado pela última vez e em que aparelho estava. Era no disco do computador, num cartão de memória, num pendrive, numa pasta da rede ou numa pasta que sincroniza com a nuvem? Isso muda o caminho.

Se o disco faz barulho estranho, some e volta, caiu no chão, pegou água ou esquentou demais, desligue com cuidado e não insista. Tentativa caseira em disco com defeito físico pode piorar o estrago. Se o que está lá vale o custo, procure um laboratório de recuperação de dados.

Comece pelo óbvio

No Windows, a Lixeira fica na área de trabalho. No Mac, no Dock. Abra, ordene por data e procure pelo nome e pela extensão. Confira também a lista de "recentes" do programa que criou o arquivo, porque ela pode apontar uma cópia ou mostrar a pasta original.

No celular, veja o álbum "Apagados" do app Fotos no iPhone, que guarda os itens por 30 dias. No Android, olhe a Lixeira do Google Fotos (60 dias para o que tinha backup, 30 dias para o que estava só no aparelho) ou a lixeira do app de galeria do fabricante. Não deixe para depois.

Se usa nuvem, entre pelo site oficial e procure a lixeira, os itens excluídos e o histórico de versões. No Google Drive, o que vai para a lixeira fica lá por 30 dias. A lixeira do computador e a da nuvem são separadas, e não esvazie nenhuma das duas enquanto procura. Se o arquivo era compartilhado, pergunte se alguém tem uma cópia.

Versões antigas e backups

Muitos programas guardam versões anteriores, salvamento automático ou arquivos temporários. O Word e o Google Docs, por exemplo, têm histórico de versões. A ajuda oficial de cada programa explica onde achar. Lembre também de anexos de e-mail que você mandou, arquivos exportados, HD externo e backup automático do sistema (Histórico de Arquivos no Windows, Time Machine no Mac).

Antes de restaurar uma pasta inteira, confira se a restauração vai substituir o que está lá agora. Se der, restaure para outro lugar, ou copie antes a versão atual. Não vale recuperar o arquivo de ontem e perder o trabalho de hoje.

Programa de recuperação, por último

Se não achou em nenhuma lixeira nem em backup e o aparelho parece estar funcionando bem, um programa de recuperação pode varrer o espaço livre do disco atrás do que foi apagado. Três regras:

  1. Instale e rode o programa a partir de outro disco ou pendrive.

  2. Salve o que for recuperado em outro lugar, nunca no mesmo cartão ou disco.

  3. Antes de pagar ou dar acesso ao computador, verifique quem fez o programa, a reputação e a política de privacidade.

Não espere milagre. SSDs mais novos costumam apagar de verdade os blocos excluídos pouco tempo depois, e cartões muito usados podem já ter gravado algo por cima. Às vezes o arquivo aparece na lista, mas está corrompido.

No celular, a criptografia e o armazenamento interno limitam bastante o que esses programas conseguem. Desconfie de app que pede permissão demais ou que garante recuperação. As lixeiras do app de fotos, do gerenciador de arquivos e da nuvem continuam sendo o melhor caminho.

Nem sempre o arquivo foi apagado

Às vezes ele existe, mas você perdeu o acesso: arquivo criptografado, conta bloqueada, permissão removida. Nesses casos, trocar a senha, falar com o administrador ou recuperar a conta resolve melhor que varrer o disco. No trabalho, avise a TI na hora. A empresa costuma ter backups e registros que resolvem sem risco.

Se o arquivo é valioso e o disco está saudável, especialistas trabalham sobre uma cópia completa do disco, para não mexer no original. Isso exige espaço, ferramenta e conhecimento. Se você não sabe fazer, não copie comandos de fórum. Pare e peça ajuda.

Achou? Faça cópia antes de comemorar

Copie o que recuperou para um disco saudável e abra para conferir o conteúdo, não só o nome. Um documento pode abrir com o cabeçalho certo e as páginas do meio corrompidas, e uma foto pode mostrar a miniatura e falhar em tamanho real. Faça uma segunda cópia antes de começar a organizar. Se o arquivo serve como prova ou tem valor legal, anote o que você fez e evite mexer nele à toa.

Se for para um laboratório

Conte tudo o que aconteceu, inclusive o que você já tentou. Pergunte onde o aparelho vai ficar guardado, quem vai ter acesso aos seus dados e quanto se paga se não conseguirem recuperar nada. Os dados pessoais no disco podem ser tão importantes quanto o arquivo, então escolha quem explica direito como cuida da sua privacidade e como devolve o aparelho.

Para não passar por isso de novo

Para os arquivos importantes, tenha uma cópia automática e outra guardada separada. De vez em quando, teste se consegue restaurar algo do backup. A sincronização com a nuvem ajuda, mas ela também copia a exclusão: apagou no computador, apaga lá. Por isso o histórico de versões e um backup independente fazem diferença.

Fontes

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