Pular para o conteúdo

Como sair do rotativo do cartão

Pessoa confere uma fatura com calculadora, caderno e cartões sobre a mesa

Você entra no rotativo quando paga só parte da fatura e o resto passa para o mês seguinte com juros. Esses juros estão entre os mais caros do mercado. Então a ordem é: primeiro a dívida para de crescer, depois ela vira uma parcela que cabe no seu mês.

Este texto é um roteiro de organização, não uma recomendação de crédito para o seu caso. As condições mudam de banco para banco, então confira sempre o contrato e a fatura.

O que a lei garante

Duas regras ajudam quem caiu no rotativo.

A primeira, do Conselho Monetário Nacional: o saldo só pode ficar no rotativo até o vencimento da fatura seguinte. Depois disso, o banco precisa oferecer outra forma de pagamento, normalmente o parcelamento da fatura, com juros menores.

A segunda veio com a Lei 14.690/2023 e vale desde janeiro de 2024: juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura, somados, não podem passar de 100% do valor original da dívida. Quem devia R$ 1.000 não pode pagar mais de R$ 1.000 de juros e encargos em cima disso.

O teto evita o pior, mas pagar o dobro do que você devia continua sendo muito caro.

Pare de aumentar a dívida

Deixe o cartão de lado por enquanto. Tire ele dos apps de compra, de delivery e das assinaturas, e use débito ou Pix, que mostram o dinheiro que existe de verdade. Muitos bancos deixam bloquear o cartão temporariamente pelo app, sem cancelar.

Antes, veja quais contas estão em débito automático no cartão, para não cortar luz ou plano de saúde sem perceber.

E não use outro cartão para pagar este. A dívida só muda de lugar, o seu salário continua o mesmo e você passa a ter dois vencimentos para controlar.

Descubra quanto deve de verdade

Na fatura, anote o saldo, o vencimento, quanto você já pagou, a taxa de juros, os encargos e as parcelas de compras que ainda vão cair. Depois peça ao banco, pelo app ou pelo telefone do cartão, o saldo atualizado e o custo efetivo total (CET) de cada opção de pagamento. Anote o protocolo.

Se aparecer uma compra que você não reconhece, conteste. Isso é separado da renegociação. Pergunte ao banco o que fazer com o valor contestado enquanto a análise não sai, em vez de simplesmente deixar de pagar.

Calcule a parcela que cabe

Pegue o que você recebe líquido no mês e tire o essencial: aluguel ou prestação, comida, transporte, remédios, luz, água, gás. O que sobra é o limite da parcela.

Se a parcela proposta só cabe porque você vai pagar o mercado no cartão de novo, ela não cabe. O ciclo recomeça.

Corte por um tempo o que dá para cortar, como streaming e delivery, mas sem fingir uma economia que você não vai conseguir manter. Dinheiro de uma venda ou de um bico ajuda a abater a dívida, desde que você só conte com ele depois que ele entrar.

Compare pelo total, não pela parcela

O banco pode oferecer parcelamento da fatura ou renegociação. Pode haver também um crédito mais barato, como um consignado ou um empréstimo pessoal com juros menores. Em todos os casos, compare o custo efetivo total, o número de parcelas, o valor final, se tem garantia e o que acontece se atrasar.

Exemplo do erro mais comum: uma parcela de R$ 150 em 24 meses parece melhor que uma de R$ 280 em 10 meses, mas no fim você paga R$ 3.600 contra R$ 2.800.

Peça a proposta por escrito antes de aceitar. Comece sempre a conversa você mesmo, pelo app, pelo número atrás do cartão ou pelo site oficial. Não pague boleto mandado por contato que você não conferiu e não passe senha nem código. Promessa de "limpar seu nome" com depósito adiantado é golpe.

Depois de fechar o acordo

Marque as datas das parcelas no calendário, com lembrete. Pergunte o que acontece com as compras parceladas antigas e se o cartão continua liberado.

Monte uma tabela simples para os próximos três meses, com a data em que o dinheiro entra, a parcela e as contas fixas. Ela mostra as semanas apertadas antes de elas chegarem. Se o vencimento cai num dia ruim, peça para mudar a data antes de atrasar.

No primeiro extrato depois do acordo, compare taxa, número de parcelas e valor com o que foi prometido. Se algo não bater, fale com o banco na hora e guarde os documentos.

Se você divide as contas com alguém, conte o necessário. Esconder a dívida leva a compras que não cabem. Combinem um limite de gastos por semana.

Se nenhuma proposta cabe

Se nenhuma opção dá para pagar sem faltar o básico, procure o canal de renegociação do banco e o Procon da sua cidade, ou o consumidor.gov.br. Não decida nada numa ligação que você não esperava, sob pressão.

E cuidado: depois que você pesquisa renegociação, começam a aparecer muitos anúncios de crédito fácil. Não clique em proposta que chega por mensagem e desconfie de quem cobra taxa antes de liberar empréstimo.

Para não voltar

Quando a situação se acalmar, use um limite que cabe no seu orçamento, e não o limite que o banco oferece. Anote cada compra no dia em que fizer e fique de olho nas parcelas futuras. Aos poucos, separe um valor pequeno por mês para gastos que voltam todo ano, como IPVA, material escolar e conserto do carro. É o que impede essas despesas de irem parar no cartão sem plano.

Quando uma parcela terminar, decida antes para onde vai o dinheiro que sobrou.

Fontes

Mais dicas