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À vista com desconto ou parcelado sem juros?

Mão segurando uma calculadora sobre a mesa, com um cartão sem marca e algumas notas de dinheiro

A loja oferece duas opções para a mesma geladeira: R$ 1.200 em 12 vezes "sem juros" ou R$ 1.080 à vista no Pix. Qual vale mais a pena? Depende de quanto o seu dinheiro renderia se ficasse guardado. E dá para descobrir com uma conta de cinco minutos.

Por que o parcelado tem juros escondidos

Desde 2017, a Lei 13.455 permite que a loja cobre preços diferentes conforme a forma de pagamento. Ela não é obrigada a dar desconto à vista, mas pode.

Se a loja aceita R$ 1.080 hoje, esse é o preço real da geladeira. Os R$ 120 a mais no parcelado são o custo de pagar depois. Em outras palavras, juros, só que sem esse nome.

A conta, passo a passo

1. Descubra a taxa embutida

Na Calculadora do Cidadão, do Banco Central, use a opção "Financiamento com prestações fixas":

  1. Número de meses: 12.

  2. Taxa de juros mensal: deixe em branco, porque é ela que você quer descobrir.

  3. Valor da prestação: 100.

  4. Valor financiado: 1.080 (o preço à vista).

  5. Clique em calcular.

No exemplo, a taxa sai perto de 1,66% ao mês. Pagar parcelado equivale a pegar R$ 1.080 emprestados a esse custo.

2. Compare com o rendimento do seu dinheiro

Agora pense: se você parcelar, os R$ 1.080 ficam guardados e rendem enquanto você paga as parcelas. Veja quanto rende, por mês e já descontado o imposto, a aplicação onde está a sua reserva, como poupança, CDB com liquidez diária ou Tesouro Selic. Os valores mudam com a taxa básica de juros, então confira no seu banco ou na corretora.

3. Decida

Situação

O que costuma compensar

Taxa embutida maior que o rendimento

Pagar à vista

Taxa embutida menor que o rendimento

Parcelar e deixar o dinheiro rendendo

Sem desconto à vista

Parcelar sem juros, se couber no orçamento

Você não tem o dinheiro guardado

Pensar duas vezes antes de comprar

No exemplo, mesmo uma aplicação rendendo bem dificilmente chega a 1,66% ao mês líquido. Pagar à vista ganha.

Se o desconto fosse de 5% (R$ 1.140 à vista), a taxa embutida cairia para perto de 0,8% ao mês. Aí a diferença para um bom rendimento fica pequena, e a escolha passa a depender mais da sua organização do que da conta.

Uma regra rápida para a loja

Sem calculadora na mão, use esta aproximação: quanto mais parcelas e maior o desconto à vista, mais caro é o parcelado. Um desconto de 10% para algo dividido em 10 ou 12 vezes já representa juros altos. Um desconto de 3% ou 5% nas mesmas 12 vezes representa juros baixos.

O que pesa além da conta

Reserva de emergência. Pagar à vista com o dinheiro da reserva deixa você sem proteção para um imprevisto. Se for o caso, parcelar pode ser mais prudente, mesmo que saia um pouco mais caro.

Parcelas acumuladas. Cada compra parcelada parece pequena, mas várias somadas comprometem a renda dos próximos meses. Some todas as parcelas que já existem antes de assumir outra.

Disciplina. Parcelar para deixar o dinheiro rendendo só funciona se o dinheiro ficar mesmo guardado. Se ele costuma sumir em outros gastos, pagar à vista é mais seguro.

Proteção na compra. Pagando no cartão de crédito, você pode contestar a compra com a administradora se o produto não chegar. No Pix, a devolução depende da loja ou do mecanismo de devolução do banco.

Perguntas frequentes

A loja pode cobrar mais caro no cartão do que no Pix?

Pode. A Lei 13.455/2017 permite preço diferente conforme o prazo ou o meio de pagamento, desde que a loja informe isso de forma clara antes da compra.

Parcelado no boleto é igual ao parcelado no cartão?

Não necessariamente. Crediário e boleto parcelado costumam ter juros declarados. A loja precisa informar a taxa de juros e o custo total antes de você fechar, como manda o Código de Defesa do Consumidor.

E se o parcelado não tiver nenhum desconto à vista?

Então os juros embutidos são zero. Se a parcela cabe no orçamento, parcelar e deixar o dinheiro aplicado é a escolha que rende mais.

Fontes

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