
Uma queda aos 80 anos não é o mesmo que uma queda aos 20. Pode virar fratura, internação, medo de andar e perda de autonomia. A parte boa é que boa parte do risco está dentro de casa e dá para reduzir com poucas mudanças, muitas sem obra.
Por onde começar: dê uma volta pela casa
Ande pela casa como se fosse a pessoa idosa, de dia e de noite. Olhe o chão, a luz, os degraus, a altura da cama. A Caderneta Brasileira da Pessoa Idosa, do Ministério da Saúde (edição atualizada em 2026), traz orientações sobre quedas e espaço para registrá-las, e ajuda nessa conversa com a equipe de saúde.
Os números variam por fonte, mas boa parte das quedas de idosos acontece dentro de casa. Na prática, é aí que dá para agir.
Banheiro: o lugar mais perigoso
Barras de apoio no box e ao lado do vaso sanitário, bem fixadas na parede. Toalheiro e box de vidro não servem de apoio, e podem ceder.
Piso antiderrapante e tapete antiderrapante dentro do box. Existem revestimentos que se aplicam sobre o piso existente, sem grande reforma.
Banquinho no box para tomar banho sentado, principalmente se a pessoa tem tontura ou cansa fácil.
Porta sem chave, para que alguém consiga abrir se houver um problema.
Chão sempre seco: um pano ao lado da porta evita poça.
Sala, quarto e corredor
Tapetes são o vilão mais comum. O ideal é tirar. Se a pessoa faz questão, fixe com fita antiderrapante ou dupla face e evite os de pelo alto, que enroscam o pé.
Fios de telefone, extensões e cabos de carregador devem ficar junto ao rodapé, não atravessados no caminho. Móveis baixos, caixas e bancos no meio da passagem também saem.
Deixe um caminho livre e reto entre a cama e o banheiro. A cama deve ter altura que permita sentar com os pés no chão, sem esforço, nem alta demais, nem baixa demais.
Luz e escadas
Luz fraca esconde degraus e obstáculos. Instale lâmpadas mais fortes em escadas e corredores, interruptores perto da porta e luzes de presença (aquelas que acendem sozinhas) no trajeto do quarto ao banheiro, para as idas noturnas.
Nas escadas, corrimão dos dois lados, se possível, e fita antiderrapante ou sinalização colorida na borda dos degraus. Se há degrau solto ou desnível, conserte.
Cozinha e rotina
Deixe panelas, copos e mantimentos de uso diário entre a altura do quadril e a dos ombros. Subir em banquinho para alcançar o armário é queda anunciada, e se for inevitável, use uma escada firme, com alguém por perto.
Uma regra simples para a casa toda: nada de limpar, trocar lâmpada ou pendurar cortina sozinho em cima de cadeira.
Calçado, corpo e remédios
Chinelo frouxo e meia no piso liso escorregam. O melhor é sapato fechado, ou chinelo que prenda o calcanhar, com solado de borracha.
A casa é só uma parte. Converse com o médico da pessoa idosa sobre:
remédios que causam sonolência ou tontura (inclusive os de pressão e para dormir);
visão: óculos desatualizados e catarata aumentam o risco;
pressão que cai ao levantar, fraqueza muscular e problemas nos pés;
atividade física orientada, como exercícios de equilíbrio e força, que reduzem o risco de queda.
Se houve uma queda ou "quase queda" recente, avise o médico, mesmo sem machucado. A Caderneta Brasileira da Pessoa Idosa tem espaço para registrar isso. Em caso de queda com dor forte, deformidade, batida na cabeça ou incapacidade de levantar, não mexa muito a pessoa e procure atendimento (SAMU 192).
Perguntas frequentes
Preciso fazer obra para deixar a casa segura?
Quase sempre não. Tirar tapetes, melhorar a luz, fixar fita antiderrapante e instalar barras já reduzem bastante o risco. Obra só entra quando há degraus altos, banheiro muito apertado ou box sem espaço para adaptar.
Quem pode me ajudar a avaliar a casa?
A equipe da unidade básica de saúde do seu bairro (agente comunitário, enfermeira, médico) pode orientar, e um terapeuta ocupacional ou fisioterapeuta faz a avaliação mais detalhada. Pergunte no posto o que está disponível na sua cidade.
Andador ou bengala previnem queda?
Quando bem indicados e ajustados, ajudam. Mas o uso errado (altura inadequada, por exemplo) pode piorar. Peça indicação a um fisioterapeuta ou médico.
Fontes
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