
A hora de dormir virou uma batalha na sua casa? Pedido de mais água, mais uma história, choro, e quando você acha que acabou, ela acorda às duas da manhã. Isso é muito comum, e na maior parte das vezes dá para resolver em casa, com paciência e algumas semanas de constância.
Quando a dificuldade para dormir vira insônia
Toda criança tem noites ruins. Fala-se em insônia quando a dificuldade para pegar no sono ou para continuar dormindo se repete por várias noites e começa a afetar o dia. Em casa, ela costuma aparecer de três jeitos:
a criança demora muito para adormecer ou resiste a ir para a cama;
ela acorda de madrugada e só volta a dormir com ajuda de alguém;
o sono fica curto, e durante o dia ela anda irritada, agitada, com sono ou com dificuldade de prestar atenção na escola.
Acordar rapidamente durante a noite é normal em qualquer idade. O que chama atenção é quando ela não consegue voltar a dormir sozinha.
As causas mais comuns
Uma revisão publicada no Jornal de Pediatria mostra que, na infância, predominam as causas comportamentais. Na adolescência, ganham peso os maus hábitos de sono e o atraso natural do relógio biológico, que faz o adolescente sentir sono cada vez mais tarde.
Os dois quadros mais frequentes em crianças pequenas são estes.
Ela só dorme de um jeito
Se a criança se acostumou a adormecer no colo, mamando, sendo embalada ou com o pai ou a mãe deitado junto, ela entende que precisa daquilo para dormir. Durante a noite, todo mundo acorda brevemente entre um ciclo de sono e outro. Quando ela acorda e a condição não está mais ali, chama você.
Não há limite claro para a hora de deitar
Sem um horário definido, a criança adia o sono com pedidos. Cada "só mais um" funciona, e ela dorme cada vez mais tarde. Nesse caso, o que falta é um combinado claro.
Outros fatores que atrapalham
celular, tablet ou TV perto da hora de dormir;
cafeína em refrigerante de cola, chá preto, chá-mate e chocolate, principalmente à tarde e à noite;
cochilo longo no fim da tarde;
mudanças na família, como nascimento de irmão, separação ou troca de escola;
problemas de saúde: ronco, nariz entupido, refluxo, dor de ouvido, coceira na pele.
Ansiedade, transtorno de déficit de atenção e autismo também aparecem com frequência junto da insônia, segundo a mesma revisão. Nesses casos, o pediatra precisa acompanhar.
Quantas horas de sono por idade
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) usa as faixas da Academia Americana de Medicina do Sono. O total inclui os cochilos do dia.
Idade | Horas de sono a cada 24 horas |
|---|---|
4 a 12 meses | 12 a 16 |
1 a 2 anos | 11 a 14 |
3 a 5 anos | 10 a 13 |
6 a 12 anos | 9 a 12 |
13 a 18 anos | 8 a 10 |
Se a conta da sua casa ficou bem abaixo, comece adiantando a hora de deitar em 15 minutos a cada poucos dias até chegar perto da faixa.
O que fazer em casa
Escolha um horário para dormir e outro para acordar e mantenha os dois todos os dias, inclusive sábado e domingo, com pouca variação.
Crie um ritual de 20 a 30 minutos, sempre na mesma ordem: banho, pijama, escovar os dentes, uma história. A repetição avisa o corpo de que o sono está chegando.
Desligue as telas bem antes de deitar e tire os aparelhos do quarto. A SBP também recomenda nenhuma tela antes dos 2 anos, até 1 hora por dia dos 2 aos 5 anos e de 1 a 2 horas por dia dos 6 aos 10.
Deixe o quarto escuro, silencioso e com temperatura agradável. Uma luz bem fraca serve para quem tem medo de escuro.
Coloque a criança na cama sonolenta, mas ainda acordada, para que ela aprenda a pegar no sono ali.
Se ela está acostumada com você ao lado, afaste-se aos poucos: primeiro sentado na cama, depois numa cadeira perto, depois perto da porta, mudando a cada poucas noites.
Combine os limites antes de deitar (uma história, um copo de água) e cumpra o combinado com calma, sem negociação nova a cada pedido.
Garanta brincadeira ao ar livre e luz do sol durante o dia. Isso ajuda o relógio biológico.
O resultado não aparece na primeira noite. Costuma levar algumas semanas, e as primeiras noites às vezes pioram antes de melhorar. O que mais pesa é a consistência: todos os adultos da casa seguindo as mesmas regras.
Remédio, chá ou melatonina?
Não use nada disso por conta própria. Na infância, o tratamento da insônia é principalmente de hábitos e técnicas de comportamento, e remédio só entra em casos específicos, com indicação e acompanhamento médico.
A melatonina, que muita gente compra como suplemento, não é indicada para crianças. Segundo o Ministério da Saúde, no Brasil ela só é permitida como suplemento alimentar, com dose máxima de 0,21 mg por dia, e a segurança só foi comprovada para quem tem 19 anos ou mais. Antialérgico para "dar sono" também não deve ser usado com esse objetivo.
Quando levar ao pediatra
ronco alto, pausas na respiração ou respiração pela boca durante o sono;
sono ruim que já atrapalha a escola ou o humor durante o dia;
terror noturno frequente, sonambulismo ou despertares com choro muito intenso;
insônia que continua depois de algumas semanas de rotina organizada;
sinais de ansiedade, tristeza ou mudança de comportamento.
O pediatra investiga causas físicas e, se for preciso, encaminha para um especialista em sono ou para acompanhamento psicológico.
Perguntas frequentes
É normal o bebê acordar várias vezes à noite?
É. Bebês acordam muitas vezes, inclusive para mamar, e com o tempo a maioria passa a voltar a dormir sozinha. Se os despertares parecem demais para a idade, fale com o pediatra.
Criança pode tomar melatonina?
Não sem indicação médica. O Ministério da Saúde não recomenda o uso por crianças, porque não há comprovação de segurança nessa idade.
Deixar a criança chorar até dormir funciona?
Existem métodos graduais para ensinar a criança a dormir sozinha, e cada família se adapta melhor a um. O pediatra pode ajudar a escolher um que respeite a idade e o jeito da casa.
Fontes
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