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Alho faz bem? O que é comprovado e o que é mito

Cabeça de alho e dentes descascados numa tábua de madeira, ao lado de uma faca e de uma tigela com alho picado

Procure "benefícios do alho" e você vai achar listas com 10, 12, 20 itens, do fígado à libido. Quando a gente separa o que foi testado em pessoas do que só funcionou em laboratório ou passou de boca em boca, a lista encolhe bastante. Por isso este texto não tem 12 benefícios. Tem três efeitos modestos, um uso prático na cozinha e uma lista honesta do que ainda não se sabe.

A base aqui é o NCCIH, o centro do governo dos Estados Unidos que reúne as revisões científicas sobre plantas e suplementos, e o Guia Alimentar do Ministério da Saúde.

Por que o alho tem fama de remédio

Quando você corta ou amassa um dente de alho, uma reação química forma a alicina e outros compostos de enxofre. São eles que dão o cheiro forte. Em tubo de ensaio, esses compostos atacam bactérias e fungos, e isso alimenta a fama.

O salto do laboratório para o corpo é que falha. A quantidade que chega ao sangue depois de uma refeição é pequena, e o cozimento destrói parte da alicina. Muitos estudos em pessoas usam cápsulas e extratos concentrados, numa dose que pouca gente come no dia a dia.

O que a pesquisa sustenta

Efeito

O que se sabe

Para quem

Colesterol

Suplementos baixam um pouco o total e o LDL

Quem já tem colesterol alto

Pressão

Queda pequena, com evidência limitada

Quem já tem pressão alta

Glicemia

Queda pequena

Quem tem diabetes

Repare na palavra "pequena" em todas as linhas. O efeito aparece em média, nos estudos, e não chega perto do que faz um remédio receitado. Ninguém deve largar estatina, anti-hipertensivo ou metformina para tomar alho.

O colesterol é o ponto mais pesquisado de todos. Se o seu está alto, alimentação, atividade física e, quando o médico indica, remédio continuam sendo o que resolve.

O uso que mais faz diferença: menos sal

Esse benefício quase nunca aparece nas listas, e é o mais fácil de aproveitar. O Guia Alimentar para a População Brasileira recomenda cozinhar com temperos naturais, como alho, cebola e ervas, no lugar de caldos em cubo e temperos prontos, que vêm carregados de sódio.

Na prática: refogue o arroz e o feijão no alho, faça um molho de alho e azeite para os legumes, coloque alho picado na carne um pouco antes de ir para a panela. A comida fica saborosa com uma pitada menor de sal, e isso ajuda quem precisa controlar a pressão.

Gripe, câncer e coração: o que não está provado

Gripe e resfriado. O NCCIH cita uma revisão de 2022 que achou só dois estudos sugerindo algum efeito do alho, os dois pequenos e com falhas. É pouco para dizer que ele previne ou encurta resfriado. O chá quente pode aliviar a garganta, como qualquer bebida quente. Contra a gripe, o que tem efeito comprovado é a vacina, que o SUS aplica todo ano nos grupos prioritários.

Câncer. Comer alho não parece reduzir o risco de câncer de estômago. No intestino, não se sabe se influencia. Alimentação com fibras, pouca carne processada e os exames de rastreamento que o médico pedir fazem mais.

Infarto e derrame. Por mexer um pouco no colesterol e na pressão, o alho ganhou fama de "protetor do coração". Só que nenhum estudo mostrou que comer alho diminua infartos ou AVCs.

Mitos comuns sobre o alho

Estas afirmações circulam bastante e não têm apoio em estudos com pessoas:

  • alho em jejum "limpa" o sangue ou o fígado;

  • alho cura infecção, verme ou candidíase;

  • alho "aumenta a imunidade" de forma que dispense vacina;

  • alho emagrece;

  • alho ajuda na asma, nos ossos ou no desempenho esportivo.

Qualquer um desses problemas pede consulta. Tratar infecção só com alho pode atrasar o remédio certo.

Quando o alho pode fazer mal

Como tempero, ele é seguro para quase todo mundo. Os cuidados aparecem com cápsulas, extratos e doses altas.

O principal é o sangramento. Suplementos de alho podem aumentar o risco, e isso pesa para quem toma anticoagulante ou aspirina e para quem vai operar. Se você usa suplemento, conte ao médico e ao dentista antes de qualquer procedimento.

Também há os efeitos chatos: hálito e cheiro no corpo, gases, náusea, dor de barriga. Algumas pessoas têm alergia. Grávidas e quem amamenta devem evitar doses maiores do que as da comida, porque a segurança não foi estudada.

E nada de alho cru direto na pele, para espinha, verruga ou micose. Ele pode causar irritação forte e até queimadura química.

Perguntas frequentes

Comer alho cru em jejum faz bem?

Nenhum estudo mostra vantagem em comer em jejum. Em quem tem gastrite ou refluxo, alho cru com o estômago vazio costuma piorar a queimação.

Suplemento de alho substitui remédio de pressão ou colesterol?

Não. O efeito é pequeno demais para isso. Se quiser usar, fale antes com o médico, principalmente se já toma outros remédios.

Alho cozido perde o efeito?

Perde parte da alicina, que é sensível ao calor. Como os efeitos comprovados vêm de suplementos e já são pequenos, vale mais usar o alho pelo sabor e pela troca do sal.

Fontes

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