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3 mudanças de hábito para começar a educação financeira

Mulher anotando gastos num caderno na mesa da cozinha, com um pote de moedas, café e calculadora

Muita gente acha que educação financeira é aprender sobre ações, juros compostos e planilhas complicadas. Isso ajuda, mas vem depois. O primeiro passo é mudar a forma como você lida com o dinheiro no dia a dia, e isso começa com três hábitos.

1

Saiba para onde o dinheiro vai antes de cortar

Ninguém decide prioridades no escuro. Durante 30 dias, anote cada gasto, do aluguel ao cafezinho. Pode ser no bloco de notas do celular, num caderno ou no app do seu banco, que já separa por categoria boa parte do que passa no cartão e no Pix.

No fim do mês, junte tudo em três grupos:

Grupo

Exemplos

O que fazer

Contas que não dá para pular

aluguel ou prestação, luz, água, mercado, remédio, transporte

pagar primeiro, logo que o salário cai

Gastos que melhoram a vida

academia, curso, um jantar fora por mês

manter, mas com valor definido

Gastos que escapam

delivery várias vezes por semana, assinaturas esquecidas, compras por impulso

é aqui que o corte começa

O susto costuma vir das pequenas saídas repetidas. Quatro pedidos de delivery de R$ 45 por semana dão mais de R$ 700 no mês. Cortar metade já libera dinheiro para o próximo hábito.

Assinatura que você não usa há dois meses pode ser cancelada hoje. Confira na fatura do cartão e na loja de aplicativos do celular.

2

Guarde para os imprevistos, mesmo que pouco

O carro quebra, o dente dói, a renda cai. Sem dinheiro guardado, a saída vira o cheque especial ou o rotativo do cartão, que estão entre os juros mais caros do país. A reserva de emergência existe para isso.

A referência mais usada é juntar de três a seis meses dos seus gastos essenciais (o primeiro grupo da tabela). Para quem tem renda que varia, como autônomos, vale mirar mais perto de seis.

Parece muito, e é. Por isso, não espere sobrar no fim do mês. Assim que o salário cair, transfira um valor fixo para outra conta ou aplicação, como se fosse uma conta a pagar. Pode ser R$ 50. O hábito importa mais que o valor no começo.

Onde deixar: num lugar seguro e que permita sacar no mesmo dia, sem perder dinheiro. Poupança, CDB com liquidez diária e Tesouro Selic são as opções mais comuns. CDB e poupança têm a garantia do FGC até R$ 250 mil por CPF em cada instituição, e o Tesouro Selic é um título do governo federal. Ações e outras aplicações que oscilam não servem para reserva.

Usou a reserva? Volte a encher antes de pensar em outro objetivo.

3

Dê valor e prazo aos seus planos

"Quero viajar" é um desejo. "Quero R$ 6.000 para viajar em dezembro do ano que vem" é uma meta, e dá para fazer a conta: são 12 meses, então R$ 500 por mês.

Faça isso com cada plano, seja trocar de celular, dar entrada num carro ou fazer um curso. Se a parcela mensal não couber, você tem três saídas honestas:

  • aumentar o prazo;

  • diminuir o valor (uma viagem mais curta, um modelo mais simples);

  • adiar outro plano menos importante.

Com a meta escrita, fica mais fácil recusar a compra por impulso. Você troca "não posso" por "isso atrasa a viagem em um mês", e a decisão fica mais clara.

Para metas de mais de um ano, o dinheiro parado perde para a inflação. Vale pesquisar aplicações de renda fixa com prazo parecido com o da meta. Antes de investir, entenda o produto, o prazo de resgate e os custos, e desconfie de promessa de rendimento alto e garantido.

Quando procurar ajuda

Se as dívidas já tomam boa parte da renda, comece por elas. Liste cada uma com os juros do mês e negocie primeiro as mais caras. Os bancos têm canais de renegociação, e o Procon da sua cidade e os mutirões de renegociação podem ajudar a montar um acordo que caiba no orçamento.

Perguntas frequentes

Preciso de planilha para controlar o dinheiro?

Não. O app do banco, um caderno ou o bloco de notas resolvem no começo. O que importa é anotar sempre e olhar o total no fim do mês.

Devo montar a reserva ou pagar as dívidas primeiro?

Dívida com juros altos, como rotativo e cheque especial, vem primeiro. Enquanto isso, guarde um valor pequeno para não precisar de crédito de novo no próximo imprevisto.

Onde aprender mais de graça?

O Banco Central tem o programa Cidadania Financeira, com cadernos e cursos gratuitos sobre orçamento, crédito e investimentos.

Fontes

Mais dicas

  1. Dinheiro

    Como sair do rotativo do cartão

    Pare de comprar no cartão, descubra quanto deve de verdade e compare as saídas pelo total pago, para não trocar uma dívida cara por outra que também não cabe.

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